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21/10/2009

3 Palavras...



Na calma aparente de uma manhã igual a tantas outras, um toque de mensagem rompeu o silêncio.
 
Nada anunciava o que viria a seguir.
 
O ecrã iluminou-se por instantes breves e nele três palavras destacaram-se entre outras: Tenho saudades suas.
 
Não eram as únicas da mensagem, mas foram as únicas que ficaram.
 
Como se o resto tivesse deixado de existir.
 
Ela ficou imóvel por segundos. Tudo suspendeu, o tempo, o gesto, a rotina. Algo invisível abriu-se, como uma fissura antiga que nem ela sabia que ainda estava lá.
 
Essas três palavras, tão simples e tão comuns, desencadearam uma queda silenciosa para dentro.
 
Vieram memórias sem ordem: o descobrir, o aprender, o deixar-se ir, o sentir sem pensar demasiado.
 
Momentos que poderiam ter sido, ou apenas aquilo que o pensamento inventa quando já não há certezas.
 
Que importa?
 
Como podem três palavras conter tanto?
 
Ou talvez não contenham. Talvez apenas abram portas que nunca chegaram a fechar.
 
Ela não quis lembrar.
 
Mas lembrar não depende de vontade.
 
A cada eco algo dentro dela se agitava, uma presença sem corpo, uma inquietação sem nome.
 
Olhou o ecrã por um instante.
 
Não respondeu. Apagou a mensagem.
 
 
Acordou, ficou por instantes em suspenso, a tentar reconhecer o dia.


 ***

2010-10-21 - 3 Palavras
nn(in)metamorphosis