Na calma aparente de uma
manhã igual a tantas outras, um toque de mensagem rompeu o silêncio.
Nada anunciava o que viria a seguir.
O ecrã iluminou-se por instantes breves e nele três palavras destacaram-se entre outras: Tenho saudades suas.
Não eram as únicas da mensagem, mas foram as únicas que ficaram.
Como se o resto tivesse deixado de existir.
Ela ficou imóvel por segundos. Tudo suspendeu, o tempo, o gesto, a rotina. Algo invisível abriu-se, como uma fissura antiga que nem ela sabia que ainda estava lá.
Essas três palavras, tão simples e tão comuns, desencadearam uma queda silenciosa para dentro.
Vieram memórias sem ordem: o descobrir, o aprender, o deixar-se ir, o sentir sem pensar demasiado.
Momentos que poderiam ter sido, ou apenas aquilo que o pensamento inventa quando já não há certezas.
Que importa?
Como podem três palavras conter tanto?
Ou talvez não contenham. Talvez apenas abram portas que nunca chegaram a fechar.
Ela não quis lembrar.
Mas lembrar não depende de vontade.
A cada eco algo dentro dela se agitava, uma presença sem corpo, uma inquietação sem nome.
Olhou o ecrã por um instante.
Não respondeu. Apagou a mensagem.
Acordou, ficou por instantes em suspenso, a tentar reconhecer o dia.
Nada anunciava o que viria a seguir.
O ecrã iluminou-se por instantes breves e nele três palavras destacaram-se entre outras: Tenho saudades suas.
Não eram as únicas da mensagem, mas foram as únicas que ficaram.
Como se o resto tivesse deixado de existir.
Ela ficou imóvel por segundos. Tudo suspendeu, o tempo, o gesto, a rotina. Algo invisível abriu-se, como uma fissura antiga que nem ela sabia que ainda estava lá.
Essas três palavras, tão simples e tão comuns, desencadearam uma queda silenciosa para dentro.
Vieram memórias sem ordem: o descobrir, o aprender, o deixar-se ir, o sentir sem pensar demasiado.
Momentos que poderiam ter sido, ou apenas aquilo que o pensamento inventa quando já não há certezas.
Que importa?
Como podem três palavras conter tanto?
Ou talvez não contenham. Talvez apenas abram portas que nunca chegaram a fechar.
Ela não quis lembrar.
Mas lembrar não depende de vontade.
A cada eco algo dentro dela se agitava, uma presença sem corpo, uma inquietação sem nome.
Olhou o ecrã por um instante.
Não respondeu. Apagou a mensagem.
Acordou, ficou por instantes em suspenso, a tentar reconhecer o dia.
***
2010-10-21 - 3 Palavras
nn(in)metamorphosis
nn(in)metamorphosis